Motivo pelo qual o ser humano JULGA.

Primeiro vou esclarecer algumas coisas.O que está escrito vem do dia-a dia de um budista, mas não é pela religião que estou postando isso.Sim pelo reflexão e esclarecimento que o texto descreve.O que estiver em parenteses  é minha opinião sobre o tal assunto, pois concordo plenamente com o que está nos dizendo.Todas as pessoas deveriam pensar desta forma, e na terra haveria paz.
Diz-se que a vida de um budista é uma vida de percepção consciente. Há pouco tempo, li um dos melhores exemplos dessa vida de percepção consciente numa revista que recebo mensalmente do Japão, chamada Taiko (“O grande cultivo”). O editor, Sumita Oyama, naquela edição escrevia sobre uma vida belíssima. Achei seu artigo tão inspirador que gostaria de compartilha-lo com você.

Quando os cientistas soviéticos lançaram uma espaçonave que fotografou o outro lado da Lua, esta foi a percepção do Sr. Oyama sobre o evento: “Bem, os russos tiraram fotos do lado de trás da Lua. Mas, na verdade, a Lua é redonda e não tem lado da frente e lado de trás. O que chamamos “frente” e “trás” são idéias concebidas pelo homem. A Lua não tem frente e verso. Do todo modo, os russos fotografaram o verso da Lua”. E ele continua: “Eu gostaria que o Sr. Nikita Krushchev (então Secretário-Geral da U.R.S.S) tirasse uma fotografia do outro lado de sua própria mente quando fala aos líderes do mundo. Bem, isso é problema dele, mas, e quanto a mim? Acho que eu deveria limpar o lado de trás da minha casa”. E começou a limpar o “verso” de sua casa o seu quintal.

O ser humano geralmente tem um lado da frente e um lado de trás. Queremos, é claro, apresentar uma fachada bonita e conservar todo o resto do quintal. O Sr. Oyama cita um haiku (poema japonês de 17 sílabas) do grande poeta e monge budista Ryokan: Ura wo mise, omote wo misete, chiru momiji, é:

Mostrando a frente,
mostrando o verso
as folhas de bordo caem.

Tentamos mostrar uma fachada agradável; é por isso que temos problemas. Pois não há frente e verso na vida real. Deveríamos viver como as folhas de bordo, mostrando tanto a frente como o verso. Frente é frente, verso é verso; nenhum dos lados é superior ao outro. Ambos são verdadeiros. Mas nós, ínfimos seres humanos, tentamos mostrar o lado “melhor” e esconder o lado de trás. Se pudéssemos fotografar nossa própria mente em frente e verso; se fossemos capazes de viver a vida como as folhas de bordo, mostrando a frente e o verso, não haveria falsidade, não haveria fingimento, não haveria segredos a esconder – nos mostraríamos ao mundo, viveríamos nossa vida. Nós, a maioria de nós, consciente e inconscientemente, vivemos uma vida de duplicidade no nosso frente e verso. E este é o problema dos dias de hoje, o próprio alicerce da perplexidade da vida.

Foi com isso que Ryokan se preocupou. Ele queria viver a vida como uma folha de bordo, mostrando frente e verso tais como são – sem nenhuma vergonha, apenas a mais direta honestidade e sinceridade na vida. No instante em que pensamos, “Este lado é melhor para ser mostrado ao público; aquele deve ser escondido”, então temos problemas. A vida budista é uma vida com esta honestidade. Não existe frente, não existe verso. Uma vida verdadeira é total. Este lado da mão ou aquele lado da mão – um deles é melhor ou pior que o outro? Este lado é este lado; aquele lado é aquele lado. Ambos são iguais. Nada deve ser oculto.

O Sr. Oyama, quando leu a notícia sobre a foto do outro lado da Lua, conscientizou-se dos muitos lados de sua própria vida. Ele vivia uma vida de percepção consciente. Há centenas de ensinamentos deste tipo à nossa volta todos os dias. Mas quantos de nós, ao ler aquela notícia, teriam pensado na frente e verso da nossa própria mente e da nossa própria vida? Em seu artigo, o Sr. Oyama, com sua idéia de frente e verso, oferece-nos um ensinamento maravilhoso e um maravilhoso caminho de percepção.

Ao ler aquele artigo, ocorreu-me como é verdadeira esta idéia de que não há frente e verso; somos nós, porém, que criamos a frente e o verso, a esquerda e a direita, o leste e o oeste. É nossa mente humana que cria frente e verso, assim como criamos nossos próprios problemas. Portanto, viva a vida como uma folha de bordo, mostrando o verso juntamente com a frente, sem se preocupar em mostrar apenas uma frente ou um verso. Não há frente ou verso; ambos são bons. Este tipo de percepção consciente é, penso eu, a vida budista.

Fui visitar um amigo no hospital. Falamos sobre a aceitação. A aceitação é muito importante na vida. Entretanto, nas línguas do Ocidente, a palavra “aceitação” tem uma conotação de atitude derrotista: “Bem, já que não posso evitar isso, só me resta aceitar”. “Bem, existe coisa melhor que isso, mas já que isso me aconteceu, nada posso fazer. Só tenho mesmo é que aceitar”. A verdadeira atitude no budismo não é esta atitude de derrota. No budismo, aceitação significa compreender a verdade, aceitar o fato. Aceitar a verdade significa uma verdadeira compreensão da vida – não o sentimento de vítima, não o sentimento de sacrifício ou derrota, mas a compreensão dos fatos reais da vida. A partir daí, nossa verdadeira vida começa. Sem aceitar as coisas como elas são, sem conhecer a verdade – o que é isto, o que sou eu – a verdadeira vida não terá início. A aceitação da verdadeira vida como eu sou, como você é, ou as condições em que você se encontra, a verdadeira percepção do fato, isso é aceitação. Em vez de tornar-se uma vítima das condições ou de qualquer outra coisa, você se torna o senhor da situação. Isso é aceitação. A aceitação tem um sentido muito positivo, ativo e dinâmico no budismo, que não é o sentido negativo de derrota implícito nesta palavra nas línguas ocidentais.

Conheça o fato. O fato é que não existe frente e verso, e, portanto, podemos ser honestos para com nós mesmos. Não há nada a ser ocultado quando somos sinceros e honestos. “As folhas de bordo caem, mostrando a frente e o verso”. Posso ver as folhas de bordo caindo, revoluteando ao sol do outono, mostrando as duas faces enquanto flutuam no ar até chegar ao chão. É uma vida natural. Sem fingimentos, sem preocupações, sem tensão. Assim como cai uma folha de bordo, assim como a água desce dos lugares mais altos, assim como a Lua brilha – este tipo de vida nos dá paz e serenidade. E isso é percepção consciente. Os ensinamentos só estão à nossa volta quando estamos conscientes. O Sr. Sumita Oyama tem, por certo, uma grande percepção consciente em sua vida. Admiro profundamente este homem e, por isso, desejei compartilhar sua vida de percepção consciente e introspecção com você.


A Compreensão Correta

A compreensão correta é o primeiro e mais importante passo na Nobre Senda Óctupla. Somos educados e acostumados a compreender as coisas dualisticamente; assim, é muito difícil transcendermos o conceito dualístico para compreendê-las em sua totalidade ou em sua unicidade. A compreensão correta é a compreensão das coisas tais como elas são, sem nenhuma comparação. É um modo de vê-las como uma totalidade única.

Julgamos as coisas através da comparação e dizemos que isso é bom ou mau, certo e errado, bonito ou feio. Julgamos as coisas de acordo com o nosso gosto e a nossa conveniência. E também as julgamos de acordo com o nosso próprio padrão e dizemos que alguém é civilizado, incivilizado ou selvagem. Comparar e julgar através da divisão é uma característica do mundo ocidental, que se baseia no conceito dualístico de criador e criatura, Deus e homem, recompensa e castigo, certo e errado, conquistador e conquistado, etc. Talvez este seja um desenvolvimento do conceito judaico-cristão de dualismo entre criador e criatura.

De acordo com este modo de pensar e compreender, tudo deve ser julgado como certo ou errado, isto ou aquilo. Esta é a filosofia do “ou/ou”, a cultura da moralidade. Nesta filosofia, tudo é conflito e competição. Por isso, vencer é importante. Se você não vencer você perde. Num mundo assim, a coexistência ou a unidade é muito difícil. Assim, se a esposa está certa, o marido há de estar errado(não está errado apenas possui uma ideia diferente). É preciso que haja democracia, senão haverá comunismo. Ou fulano é amigo ou inimigo( se um é amigo o outro apenas será uma pessoa a mais na sua vida, na qual teve ideias e formas diferentes de pensar e não foi respeitada, ou  provável que ela não gosta de pessoas). Se uma pessoa acredita numa certa fé, então ela tenta converter os outros porque pensa que sua fé é a melhor e a dos outros é errada ou inferior(Nem uma fé é superior a outra, cada uma possui suas ideias e dogmas). A idéia de “eu estou certo e ele está errado” nos torna agressivos e críticos, e transforma-se em presunção e autoglorificação. Por outro lado, a pessoa se torna pessimista e tem uma atitude derrotista quando diz “eles são ricos, mas eu sou pobre” ou “ela é bonita, mas eu não sou”.Num mundo assim, sempre haverá competição, conflito, medo e todos os tipos de complexos.

A compreensão correta não é a comparação. Ela vai além dos valores relativos. Ela transcende a comparação dualística. Compreensão correta quer dizer reconhecer a singularidade de cada coisa, compreender as coisas tais como elas são. No budismo, a palavra Nyorai (tathagata) é usada como um título, assim como a palavra Buda; por exemplo, Amida-Nyorai, Shaka-Nyorai, Yakushi-Nyirai, Dainichi-Nyorai. Nyorai significa “que se mostra tal como é”, “que surge em sua essência” ou “que é aquilo que é”. Uma conhecida citação diz que “As flores são vermelhas e as folhas são verdes”. É exatamente assim. O Amida-sutra descreve que “a cor vermelha tem luz vermelha, a cor branca tem luz branca”. Homem é homem e mulher é mulher, e ambos são bons na medida em que não podem ser mudados. Capitalismo, comunismo e democracia – cada um tem seu lugar de acordo com a época, o local e as condições. Possuímos todos estes elementos dentro de nós, e não podemos ser puramente democráticos ou comunistas. Não é o comunismo ou a democracia que são bons ou maus; o que é mau é o egoísmo e o espírito de dominar os outros.

Na medida em que existe o errado em contraposição ao certo, este certo não é o correto. O correto está além do “certo e errado”. O bom está além do “bem e mal”. A verdadeira beleza transcende a comparação entre “belo e feio”. Compreender uma criança como uma criança; compreender um adulto como ele ou ela é. Deste modo, muitos problemas podem ser resolvidos. Um piano é um piano, um violino é um violino, uma flauta é uma flauta, um tambor é um tambor. Todos são únicos e independentes, mas, quando tocados em conjunto, uma sinfonia é criada. As folhas são folhas e são verdes; as flores são flores e são vermelhas. Assim, você é e deve ser o melhor que lhe é possível ser. Você não precisa comparar-se ao seu próximo. Por que você está competindo e tentando vencer? Por que tem medo de ser derrotado? Ninguém pode derrotá-lo. Você não pode ser derrotado porque você é você.
Fonte:Budismo Essencial.Página no Facebook "Buda virtual"

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